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INFECÇÃO HOSPITALAR
                                                                          

                                                      Artur da Silva Azevedo ( Enfermeiro no Hospital de Famalicão )

                                       Helena Sofia Mendes Baptista ( Enfermeira no Hospital distrital de Braga )

 

Resumo

A infecção hospitalar é um tema que cada vez mais preocupa a comunidade da saúde, devido às suas enumeras implicações, nomeadamente : aumento do tempo de internamento dos doentes e do seu sofrimento; despesas acrescidas para a instituição; aumento do número de horas necessárias de cuidados para os profissionais de Saúde. É neste contexto que as instituições tentam investir na prevenção de forma a diminuir as despesas humanas e materiais apostando fortemente na sua prevenção. Tendo em conta que este tema é bastante vasto vamos fazer uma pequena abordagem sobre o assunto deixando espaço para futuros artigos. Nós pretendemos identificar situações de risco e propôr a forma correcta de actuar.

Palavras - chave : Infecção, microorganismos, prevenção.

 

Introdução

As principais preocupações que deveriam estar na mente dos profissionais de Saúde poderiam resumir-se à prevenção e controlo da infecção hospitalar, quer trabalhem em serviços ambulatórios ou em hospitais. Os doentes internados têm um maior risco de adquirirem infecções devido à própria natureza hospitalar. Pois aqui vai-se expôr a microorganismos que no seu dia-a-dia não entraria em contacto. por outra perspectiva, estes doentes encontram-se mais enfraquecidos e as suas defesas contra as infecções estão debilitadas. Estima-se que cerca de 5 a 10% dos doentes internados venham a sofrer de infecções durante a sua estadia na instituição e que não possuiam no momento de admissão. Vamo-nos debruçar na sensibilização da comunidade da Saúde ao longo deste artigo e tentar transmitir algumas considerações que certamente serão úteis no desempenho destes profissionais.
 

Processo infeccioso

Podemos definir a infecção como uma invasão por microorganismos nocivos que ultrapassem a capacidade de reacção do organismo afectado, multiplicando-se e actuando conforme a sua espécie e virulência. A infecção pode ser representada de acordo com um ciclo representado a seguir :

O corpo humano em condições sadias tem uma capacidade de resposta suficiente para evitar as infecções, de tal forma que nem nos é possível aperceber de tal processo. São inúmeros os factores que interferem com estas defesas orgânicas. Vamos fazer uma pequena abordagem de alguns destes factores :

Antecedentes pessoais - indivíduos com diabetes, hipertensão arterial, neoplasias, cardiopatias, asma,fumadores,... 

Idade - os indivíduos com uma determinada idade encontram-se mais predispostos, nomeadamente as crianças que ainda não adquiriram a totalidade das suas defesas e os idosos devido a uma diminuição destas mesmas defesas. 

Condições ambientais e nutricionais - um estado de subnutrição acarreta um sistema imunitário deficiente, diminuindo a capacidade de resposta à infecção, assim como um ambiente propício ao desenvolvimento de agentes patogénicos. 

Traumatismos e medicação - qualquer ferida é uma porta de entrada para os microorganismos, certos medicamentos provocam uma resistência por parte das bactérias e diminuição da produção de anticorpos, assim como certas intervenções por parte dos profissionais de Saúde, embora sendo necessárias, como por exemplo feridas cirúrgicas, biópsias, cateterismos,...

 

Infecções mais frequentes no meio hospitalar

O ambiente hospitalar, apesar das medidas tomadas pelas instituições, é sempre um meio de eleição para a propagação e desenvolvimento de infecções. Ora vejamos, o organismo ( doente ) encontra-se com as defesas diminuídas devido ao seu estado. O ambiente ( hospital ) apresenta logo à partida condições de desenvolvimento patológico devido à sua situação ( estruturais, abrange uma grande população, climatéricas ). O agente ( microorganismo ) só tem que encontrar estes dois elementos ( não necessita de ser endémico, pode ter acesso através de uma visita constipada por exemplo ) e a sua actuação apenas depende das suas condições virulentas. Ou seja, infecção hospitalar, não é nada mais do que toda e qualquer infecção diagnosticada clinicamente, ocorrida no hospital, devido a microorganismos, podendo manifestar-se tanto nos doentes como nos profissionais de Saúde e podendo aparecer fora do meio hospitalar.
 

Processos infecciosos mais frequentes

As principais preocupações que deveriam estar na mente dos profissionais de Saúde poderiam resumir-se à prevenção e controlo da infecção hospitalar, quer trabalhem em serviços ambulatórios ou em hospitais. Os doentes internados têm um maior risco de adquirirem infecções devido à própria natureza hospitalar. Pois aqui vai-se expor a microorganismos que no seu dia-a-dia não entraria em contacto. por outra perspectiva, estes doentes encontram-se mais enfraquecidos e as suas defesas contra as infecções estão debilitadas. Estima-se que cerca de 5 a 10% dos doentes internados venham a sofrer de infecções durante a sua estadia na instituição e que não possuíam no momento da admissão. Vamo-nos debruçar na sensibilização da comunidade da Saúde ao longo deste artigo e tentar transmitir algumas considerações que certamente serão úteis no desempenho destes profissionais. São inumeras as infecções que podem ocorrer num meio hospitalar, no entanto vamos apenas abordar um pequeno grupo delas. são as mais frequentes que se podem encontrar em doentes hospitalizados : 

 Infecções respiratórias - ocorrem em cerca de 19% dos casos. É certo que as percentagens de doentes com esta patologia é bem superior, mas já são internados com ela. As suas causas são a flora nosocomial e a flora patogénica do doente. têm uma principal incidência nos doentes com a facha etária compreendida entre os 53 e os 64 anos de idade. São agravadas pelo estado físico, mobilidade do doente, idade avançada,... Muitos destes casos resultam em morte.

 Infecções por cateter ( flebite ) - representam cerca de 13% dos casos. Ocorrem devido ao manuseamento necessário dos acessos venosos. Consideram-se actos invasivos todos os procedimentos que rompem a barreira natural de protecção ( pele ), no entanto podem ser minimizados com um correcto procedimento. Podem aparecer devido a flebite, infecção relacionada e obstrução do cateter.

Infecção urinária -  representam 34% dos casos. Devem-se também devido à flora nosocomial e à flora do doente, mais particularmente à flora intestinal. a propagação dos microorganismos devem-se em grande parte a uma técnica de assépsia incorrecta, utilização indiscriminado e abusivo do cateterismo, traumatismo durante e após o processo, entre outros. A utilização de gel urológica permite um melhor cateterismo e auxilia na prevenção destes tipos de infecção e a sua proliferação.  

Infecção da sutura - aparecem em 17% dos casos. Mais uma vez devem-se à flora patogénica do doente e à flora nosocomial. No entanto, podem ocorrer devido à utilização de produtos químicos para assépsia das paredes aquando a sutura e também devido a má técnica de realização de pensos. Podem ser agravadas pela existência anterior de cirurgias e pelos factores anteriormente descritos e inerentes a cirurgias. 

 

Prevenção  e controle

A enorme importância deste tipo de intervenção está patente no facto de, das cerca de 50% de infecções nosocomiais que podem ser prevenidas, a grande maioria são as que resultam directamente de cuidados prestados aos doentes. É dever de todos os profissionais de Saúde promover um ambiente biológicamente seguro. Seguidamente faremos referências a alguns procedimentos a ter relativamente às infecções anteriormente referidas.

 

Infecção respiratória

- Promover uma boa higiene orotraqueal, especialmente nos doentes com sondas nasogástricas ( os microorganismos proliferam com grande facilidade num meio descuidado ); 

- Cumprir um correcto esquema de hidratação, tendo em conta o tipo de doente e suas características ( especialmente em doentes com a sua capacidade motora dimínuida, pois facilmente aparece estase de secreções e a consequente infecção das vias respiratórias );

- Proporcionar uma mobilidade ao doente, que apresente esta capacidade diminuída, através de alterações de decúbitos ( vai contribuir para uma melhor ventilação e facilitando assim  o impedimento de estase de secreções e por conseguinte uma inflamação dos alvéolos );   

- Vigilância e despiste de sinais e sintomas ( tosse excessiva, febre que não regride, dor torácica a agravar e hemoptises ); 

- Utilizar técnica asséptica aquando a aspiração de secreções e individualizar todo o material que o doente necessite ( evitando assim as infecções cruzadas );

- Sempre que possível, tendo em conta as características da instituição, isolar o doente.

 

Infecção por cateter

- Usar cateters adequados à veia a puncionar e à finalidade a que se destinam ( tendo em conta a medicação a fazer e a duração do respectivo tratamento );

- Explicar ao doente a necessidade do cateter e que o seu manuseamento deve ser delicado ( evitando traumatismos desnecessários );

- Efectuar uma correcta fixação do cateter, evitando a colocação de adesiva em redor deste, pois com o passar do tempo ( mesmo apenas 24 horas ) vai existir uma acumulação de microorganismos devido à cola do adesivo;

- Evitar a manipulação da borracha dos sistemas e tentar utilizar as torneiras de três vias, procedendo-se, sempre que possível, à mudança do sistema ao fim de 24 horas devido ao seu manuseamento;

- Pode-se fazer uma pequena tricotomia da área a puncionar e evitar ao máximo a manipulação destes;

- Cateters colocados em situação de urgência devem ser retirados assim que possível e substituídos por outro ( devido a possível uso incorrecto de assépsia devido à situação de urgência ).

 

Infecção urinária

- Utilizar cateter vesical adequado e apenas em última situação ( pode-se optar por um cateterismo intermitente em caso de pós-operatório );

- Proceder a uma higiene perineal correcta e mantê-la enquanto o cateterismo for necessário;

- Evitar manipulações desnecessárias do cateter e utilizar sacos colectores de urina esterilizados com sistema anti-refluxo;

- Se a instituição assim o disponibilizar deve-se utilizar os kits de cateterismo;

- Proceder a uma hidratação adequada em conformidade com o doente ( cerca de 1,5 litros por dia );

- Vigiar a integridade da mucosa.

 

Infecção da sutura

- Manter a integridade da zona da sutura ( de forma a evitar a sua contaminação );

- Efectuar os pensos em sala própria e começar pelo menos infectado ( de maneira a diminuir o risco de infecção );

- Efectuar vigilância apertada aos doentes pós operados e efectuar pensos repassados assim que possível;

- Evitar utilizar produtos químicos aquando a desinfecção das paredes para a realização da sutura; 

- Isolar o doente que assim o necessite, de forma a evitar a contaminação de outros.

 

Estes procedimentos são apenas uma pequena parte do que se deve efectuar. Todos os profissionais de Saúde são responsáveis por um pequeno contributo, desde o seu vestuário até a manutenção do ambiente.

 

Conclusão

O controlo da infecção hospitalar serve para proteger não só os doentes como também o pessoal hospitalar e os próprios visitantes. Para que a infecção seja prevenida e controlada temos que identificar a sua existência quer como esporádica, endémica ou epidemiológica. A sua detecção só é possível mediante a existência de um programa específico de vigilância em todas as instituições. O controlo da infecção hospitalar é um meio de extrema importância na redução da mortalidade, morbilidade e custos hospitalares, sendo a  incidência da infecção nosocomial utilizada como instrumento de controlo de qualidade. Esperamos que com esta pequena abordagem deste tema tão vasto que tenhamos conseguido transmitir os nossos objectivos propostos e esclarecido alguns aspectos menos claros.

 

Referências

1.Nosocomial bacteremia.Weibaum DL: clin. crit. care med. 1986;12:39-58.

2.The risk of midle catheterization in hospitalized patients. Leonard A et al.

3.Stedmans medical dictionary version. Grand rapids: Zondervan Publishing House; 1995. Ruth 3:1-18.

4.Mesquita J. Biologia, vida e saúde. 3ª edição portuguesa,Porto editorial 1998.

5.Troca de catéter venoso de rotina é desnecessário.2000 Fevereiro : 1 ( 1 ). Disponível em www.medreporter.com.